Sete livros para começar 2017 com tudo

Regularmente me perguntam quais livros se deve ler para se construir uma carreira de sucesso. Estudantes, start-uppers, gerentes, donos de negócios, – todo mundo quer uma lista de livros! – todo mundo quer uma lista de referências. Sem problema, eu tenho a resposta. Contudo, não acredito que alguém possa se tornar um empreendedor por meio da leitura de livros, não importa de onde venha a recomendação. Ainda assim, existem ótimos livros por aí cuja leitura não machucará; falarei sobre oito neste artigo…

Divido livros de negócios em duas categorias.

A primeira auxilia leitores com o que precisa ser feito para se contruir um negócio de sucesso; a segunda – o que não fazer. Às vezes, a linha entre essas duas coisas não é muito clara, mas levando em conta livros dos dois grupos, leitores podem evitar perder tempo e recursos em atividades sem futuro.

Na verdade, existe uma terceira categoria de livros – trabalhos de empreendedores célebres ou líderes de governo, que instruem pelo exemplo como as coisas devem ser feitas. Esse tipo de livro tende a ser bem generalista, já que cobrem um largo espectro de problemas de negócio, além de situações imprevisíveis, ao mesmo tempo que demonstra possibilidades ilimitadas – mesmo que pouco claras. Não contém planos concretos, mas ainda ssim são válidos.

Muitos livros em minha lista foram escritos tem bastante tempo – alguns no milênio passado – de modo que industrias e tecnologias dos anos 2000 não são mencionadas. De qualquer forma, os livros ainda são relevantes nos dias de hoje. Suas ideias principais podem ser aplicadas facilmente na realidade digital. Estamos em uma era de novas tecnologias, mas a natureza do homem continua a mesma, e as pessoas tendem a repetir os mesmos erros. Nem todo mundo, claro. Outros fazem as coisas certo e suas empresas se tornam reconhecidas com líderes respeitados. Que é meu desejo para todos.

Ok, lá vamos nós. Boa leitura – deste artigo e dos livros nele citados.

Jim Collins, Good to Great: Empresas feitas para vencer

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Diria que esse é o livro mais importante na minha biblioteca empresarial. Com lingugaem clara e com diversos exemplos acessíveis, o autor analisa de forma convincente as características comuns encontradas em diversos tipo de líderes. Esse livro é  um dos poucos que se enquadra na categoria um: como construir um negócio.

 

Trata-se de mais do que um livro – trata-se de uma grande referência – um verdadeiro magnum ops. Por ser baseado em cinco anos de pesquisa incessante conduzida por uma grande equipe, é possível enquadrar o livro como ciência exata, algo que não pode ser dito de qualquer livro de negócios.

O que o autor fez foi selecionar empresas grandes, medíocres e péssimas, analisou suas características em comum e diferenças; por exemplo, o que as grandes empresas fazem e deixam de fazer, e o que as outras duas categorias não fazem.

Qual a receita do sucesso, e quais os indícios de um colapso? No fim, é tudo bem simples. Empresas bem sucedidas possuíam (e as outras não) as seguintes características:

  • “Executivos Nível 5”: visionários não necessariamente caristmáticos. E sim pessoas humildes que trabalham muito.
  • “Primeiro Quem, Depois O quê: tenha as pessoas certas a bordo, e depois descubra para onde ir. Encontrar as pessoas certas e aloca-las em posições diferentes”;
  • “Conceito da Marmota: os ciclos sobrepostos: Pelo que você é apaixonado? No que você poderia ser o melhor no mundo? Do que é feito seu dinheiro?”
  • Outras coisas também – mas deixarei que vocês descubram mais lendo o livro.

E se você se encaixa na descrição desses líderes você provavelmente irá – se não já – lidera uma empresa bem-sucedida e leva uma vida animada. Vi a Kl em diversas das receitas para o sucesso de Collins, as quais temos seguido. Espero que você veja isso na sua empresa também. Leitura prazerosa e inspiradora.

Críticas ao livro:

  • A metologia compara apenas empresas públicas – não provadas, já que essas levam vidas diferentes: abordagens, objetivos, planos, estruturas, entre outros
  • Empresas de internet são mencionadas apenas de passagem. Isso também é explicado pela metodologia.

Ao mesmo tempo, o livro pode ser aplicado a negócios mais tradicionais como fábricas, supermercados, drogarias e companhias aéreas. Negócios relacionado a internet também serão capazes de utilizá-lo, como os mercados mencionados acima. Reconheço que governos também podem melhorar adotando os princípios do livro.

Clayton M. Christensen. O Dilema da Inovação: quando as novas tecnologias levam empresas ao fracasso

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Esse livro é especialmente interessante para pessoas que tem interesse em entender como o mundo dos negócios funciona. Uma porção significativa do livro trata de como NÃO fazer negócio. Diversos exemplos são dados sobre como empresas grandes e antigas foram espremidas por empresas novas até perderem a relevância ou desaparecer. Esses exemplos descrevem situações nas quais empresas líderes parecem fazer tudo certo: tecnologia de ponta, produtos para todos os gostos, clientes felizes, investidores felizes, queridinhos da imprensa… mas aí – BOOM: do nada eles estão a margem da evolução;

Eis a citação do livro?

Ao comandar uma empresa, você se deparará com a pergunta: o que está acontecendo?! Em muitos casos esse livro te ajudará a encontrar essa respostra. O livro trata de empresas bem-sucedidas e bem administradas que investem no desenvolvimento de tecnologias e ouvem o que o cliente quer e mesmo assim caem de cabeça, sofrem e perdem seus negócios. Um dos principais pontos do livro é a tecnologia disruptiva. E não importa quando você ouvir alguém falando sobre a interrupção de algo você deve agradecer a Clayton Christensen por isso.

O que é particularmente interessante sobre esse livro é que contém muitas histórias sobre empresas diferentes de industrias distintas (TI, metalurgia e montagem de máquinas) – e no fim todas são incrivelmente parecidas!

Quase todos esses estudos seguem a mesma linha básica:

  1. Existe um mercado.
  2. O mercado incha por conta de novas empresas que oferecem algo a mais, algo diferente – um produto/tecnologia/serviço pelo qual ainda não há demanda. No livro isso é chamado de “informação disruptiva”.
  3. Criada a demanda, os novatos gradualmente formam um novo mercado (o que também é mencionado em a Estretégia do Oceano Azul – veja abaixo).

Como resultado, os novos entrantes tiram das empresas mais antigas os nichos pouco interessantes e de menor lucro. Então, tomam o segmento mais baixo do mercado. Esse segmento mais baixo normalmente desperta pouco interesse nas grandes empresas, muito trabalho envolvendo um produto primitivo que não vale a atenção dos engenheiros orgulhosos da empresa e do reconhecimento de mercado.

A seguir, essas empresas mais novas se elevam, desenvolvendo sempre seus serviços e produtos, e eventualmente essas inovações tornam-se um novo nicho por si – um com clientes satisfeitos e lucrativos – empresas ricas que precisam apenas do melhor. E dessa forma elas eventualmente tomam o mercado inteiro de cabo a rabo. Esse processo é completamente lógico e inevitável.

Nesse meio tempo, os grandes monstros do passado tornam-se as próximas vítimas das tecnologias disruptivas – vítimas da cruel evolução tecnológica.

Esses montros são gradualmente pressionados nos principais mercados que dominavam. Esse padrão se repete! Novatos espremendo os novatos anteriores. Infinitamente.

Esse livro, na minha opinião é bem pertinente para empresas de TI hoje, já que em nossa indústria as mudanças ocorrem muito rapidamente. O Dilema da Inovação não é apenas fatal, mas sim instantaneamente fatal.

Michael Hammer e James Champy. Reengineering the Corporation: um manifesto for Business Revolution

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Eis uma anedota típica do crescimento de uma grande e conhecida empresa: começa como um pequeno negócio de família, startup de garagem, ou pequena empresa fundada depois do fim de outra. O negócio cresce, o número de clientes aumenta. O faturamento de milhares atinge os milhões, dezenas e depois centenas de milhões, e talvez até bilhões. A empresa sai de uma novata pouco notável para médio porte e com sorte e inteligência para uma grande empresa global.

Ao longo dessa transformação, processos e hábitos aparecem. No começo funcionam com excelência, mas isso é natural afinal foram esses que tornaram a empresa bem-sucedida no início. Mais tarde, quando maiores, os problemas começam a aparecer, clientes (mesmo os mais leais) são perdidos para a concorrência, e a empresa perde mercado, o que por vezes a leva à falência.

Então o que ocorre? O que dá errado? De quem é a culpa disso?

São essas perguntas que são respondidas no livro. Na verdade, as perguntas “quem culpar” e o “o que fazer?” estão conectadas – a resposta do primeira garante a resposta do segunda imediatamente. De forma geral:  a empresa precisa implementar mudanças. Quais especificamente e como implementá-las depende nas particularidade do negócio e da indústria a qual está inserida. Mas as mudanças possuem caráter obrigatório, sem elas a estagnação é inevitável.

Cito :

“Distinguimos três tipos de empresas que passaram por remodelações. O primeiro: empresas com problemas sérios. Sem escolha.

O segundo: empresas que a gestão prevê problemas futuros.

Terceiro: empresas por dentro. Sem dificuldades, sem problemas no horizonte, mas a gestão define objetivos e busca preparação para esses”

…Ou, como eu diria, “para que a sopa fique boa, você tem que mexê-la”

Curiosamente, nós (KL) fomos o primeiro caso no começo dos anos 2000. Tinhamos um antivírus de qualidade superior, mas ainda não conseguíamos inventar um produto que valesse a pena. Tínhamos que muitas vezes começar do zero – desde o desenvolvimento até reescrever a programação do produto. O processo era extremamente desprazeroso, e desde então prefiro estar inserido na terceira categoria.

Sydney Finkelstein. Why Smart Executives Fail: And What You Can Learn from Their Mistakes

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Um livro muito interessante, parece um romance policial. O autor analisa exemplos de catástrofes corporativas globais (por vezes letais) que resultaram em perdas millhonárias e bilhonárias. Entre elas: Iridium, Samsung Motors, Enron, DeLorean, barings, entre outras. Também detalha fusões e aquisições desastrosas (Sony e Columbia Pictures, Daimler-Benz e Chrysler.)

Cada história é única, mas curiosamente, em sua pesquisa rigorosa, o autor descobriu que os mesmos erros se repetiam em diversos casos! E esses erros não se tratavam de coisas como gerentes incompetentes, recursos insuficientes, preguiça ou implementações mal feitas. Bem o oposto – a frente das empresas estavam líderes/diretores/visionários competentes, recursos eram abundantes, e todos os funcionários eram efetivos, mesmo assim… catástrofe!

O problema era outro. Tratava-se da forma em que a gerencia agia. Ou por julgar o mercado de forma errônea e aplicar métodos ultrapassados em uma mercado em transformação: iniciava um projeto repleto de recursos baseado em informações incorretas; ou ainda ficavam cegos pela ambição. Também havia uma boa dose de fraude. Resumindo, não importa o que ocorra, o capitão e seus oficiais são responsáveis pelo o que ocorre com o navio.

Embora ache que o livro contenha informações desnecessárias, e sua estrutura seja bem confusa (acredito que precisava ter sido revisado melhor) ainda assim recomendo.

PS:

Teaser: um dos capítulos é chamado “Sete Hábitos para pessoas altamente eficientes”.  Trata de gerentes de empresas, mas também os donos, que podem verificar se escolheram gerentes com o perfil certo ao procurar investimentos.

PS2:

Mais alguns detalhes – aqui.

 

Chan Kim and Renée A. Mauborgne.A Estratégia do Oceano Azul

detalhes

O livro fornece duas definições engenhosas: oceano azul e vermelho.

O oceano vermelho se refere aos mercados tradicionais nos quais empresas de diferentes tamanhos lutam por manter sua parcela do mercado. Aqui, a competição é voraz, maliciosa e não é fácil para ninguém se manter no topo.

O oceano azul é diferente.  Refere-se a mercados que surgiram recentemente, com poucos atuantes, se não um único indivíduo logo no início – o que pensou nesse oceano. Esse seria o único capaz de explorar sua vastidão,  podendo portanto fazer suas próprias regras.

O oceano vermelho é um produto ou serviço popular entre uma massa de usuários. O oceano azul se trata de uma tecnologia ou produto que não existia e para o qual não havia demanda, ao passo que apareceu do nada (praticamente).  É o Cirque de Soleil. O Ford Model T, produtos da Microsoft,  e outros exemplos nos quais o novo produto cria a si mesmo, uma nova demanda, ou um oceano azul de demanda. 

A definição e exemplos de diferentes oceanos são dados nas primeiras 20 páginas. Não entendi a finalidade das outras 250 páginas. Além disso, o autor assegura que os leitrores estarão lendo sobre estratégias de criar/encontrar oceanso azuis (ou seja, ganhar bilhões de dólares). Contudo, não encontrei nada do gênero, o que acho impressionante e decepcionanete. Mas então, acho que se o autor soubesse o segredo, ele não estaria apenas na capa do livro, mas no topo das listas dos maiores bilhonários do mundo.

Portanto, recomendo o primeiro capítulo, mas você não precisa perder seu tempo com resto.

 

Nassim Nicholas Taleb. The Black Swan.

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Esse livro afirma que o mundo é constituído de duas partes.

A primeira é previsível, e nada de pitoresco ocorre. Por exemplo, um casino no qual há teto para as amostras. Ganhar um milhão de uma vez simplesmente não vai ocorrer. Para ter essa chance em um casino, você tem que jogar sua vida inteira e ser extremamente sortudo.

O segundo trata-se do mundo no qual eventos completamente ineperados ocorrem de modo a mudar tudo dramaticamente. Por exemplo, algumas empresas se tornam Facebooks, ao passo que centenas (ou milhares) de empresas como essas (ou pelo menos similares) desaparecem sem deixar sinal.

Esse é um livro sobre um homen (como indivíduo, sociedade, negócio ou estado) que tenta seu melhor para viver de acordo com as leis do mundo previsível, mas que acaba caindo com bastante frequência no mundo imprevisível – o mundo do Cisne Negro. Os eventos de Cisne Negro são acontecimentos surpreendentes que possuem efeitos expressivos para crises econômicas por exemplo, o sucesso insano de um filme ou livro, descobertas científicas fundamentais, startups de garagem se tornando mega-corporações, entre outras. O livro detalha que nesse mundo o homem, para encontrar a si mesmo, precisa confiar não naquilo que sabe, mas no fato de que ele não sabe muito e acaba sabendo muito… isso bem mais tarde, ao encontrar o Cisne Negro.

Então, se você estiver estudando esse mundo na tentativa de entender suas leis – esse livro é para você. Mas lembre-se, como muitos livros do tipo (incluindo a maioria nessa lista), você precisa filtrar bastante coisa. Às vezes, o autor sai um pouco da tangente, e algumas ideias se tornam difíceis de entender/acreditar.

Algo intrigante sobre esse livro é que depois de lê-lo, você se pega achando que todo analista financeiro, economista e sociólogo não passam de vigaristas fervorosos! O autor também odeia… os franceses (!) e… a função Gaussiana (a distribuição normal) 🙂 Além disso, às vezes ele soa como um acadêmico de humanidades crônico (dificilmente leio coisas de autores assim), porém ele é professor de matemática. Ignorando isso, é só ler e aproveitar!

Abaixo uma citação indicando as… ideias originais do autor (traduzido do verso):

 “Alguns profissionais consideram a si mesmos especialistas, ao passo que não são nada do gênero… a maioria também usa gravata.”

A seguir pessoal – três livros da Terceira categoria que mecionei no começo do artigo – livros a respeito de gênios/visionários/trabalhadores/sortudos que se provaram bem-sucedidos, e que contam a história de como eles agiram – e como você também poderia agir…

Richard Branson. Screw It, Let’s Do It: Lessons In Life

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Trata-se de uma história pessoal com cara de “regras para a vida” escritas por um jovem esperto em um formato super fácil de ler. Admiro a forma com que Sir Richard trabalha e acho que nossos estilos de gestão têm muito em comum. Também acredito que se divertir e gostar do que você faz, é essencial para o sucesso do seu negócio. Sonhar alto e não ter medo de desafios também é importante. Também concordo que o dinheiro em si não deve ser o objetivo final; deve ser uma consequência de trabalho duro, prazeroso e frutífero.

Lee Kuan Yew. From Third World to First: The Singapore Story – 1965-2000

detalhes

As memórias por trás do milagre econômico do singapuriano.

Na minha opinião, Lee Kuan Yew foi uma das maiores pessoas do século XX: o político ideal e um exemplo para líderes mundiais. Em menos de 40 anos, Singapura saiu de ser um país problemático para um dos centros industriais mais desenvolvidos do sudeste asiático. No livro, a transformação de Singapura é explicada, bem como o que o chefe de estado teve de fazer para viabilizar essa transformação. Todavia, o livro não se trata apenas das memórias de um político; também contém reflexões extremamente úteis a respeito de como obter reconhecimento e sucesso.

Walter Isaacson. Steve Jobs

detalhes

 

A biografia oficial de Steve Jobs com suas mais de 600 páginas já foi assunto aqui do blog.

Trata-se de um livro interessante que mostra de maneira precisa o porquê da Apple ser como é. Recomendo para qualquer um que tenha interesse na história e na prospecção da indústria de TI; para qualquer um que não seja indiferente sobre os conflitos entre a Apple e a Microsoft, Google, Samsung entre outras; para qualquer um que participe da eterna guerra motivada por “qual o melhor sistema”.

 

PS: É possível provável que a lista não esteja completa. Estou certo de que existem outros livros por aí tanto novos quanto velhos que desconheço. Então, se você conhece algum desses que recomenda a leitura, comente abaixo!

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