Cibersegurança – a nova dimensão da qualidade automotiva

Muitas pessoas parecem pensar que o automóvel do século 21 é um dispositivo mecânico. Claro, ele adicionou eletrônicos para isso e aquilo, alguns mais do que outros, mas ainda assim, no final do dia, é uma obra de engenharia mecânica: chassis, motor, rodas, volante, pedais … A eletrônica – até mesmo os ‘computadores’ – apenas ajudam toda a parte mecânica. Eles devem fazer isso – afinal, os painéis hoje em dia estão repletos de monitores digitais, com quase nenhum indicador analógico à vista.

Bem, sendo bem honesto: não é bem assim!

Um carro hoje é basicamente um computador especializado – um ‘cibercérebro’, controlando a mecânica e a parte elétrica que tradicionalmente associamos à palavra ‘carro’ – o motor, os freios, os indicadores de direção, os limpadores de para-brisa, o ar condicionado e, na verdade, todo o resto.

No passado, por exemplo, o freio de mão era 100% mecânico. Você o puxava – com sua ‘mão’ (imaginou?!), e emitia um tipo de ruído áspero. Hoje você pressiona um botão. 0% mecânico. 100% controlado por computador. E é assim com quase tudo.

Agora, a maioria das pessoas pensa que um carro sem motorista é um computador que o dirige. Mas se há um humano atrás do volante de um carro moderno, então é o humano que dirige (não um computador), “claro, seu bobo!”

Lá vamos nós de novo… também não!

Como a maioria dos carros modernos de hoje, a única diferença entre aqueles que se dirigem e aqueles que são dirigidos por um ser humano é que, neste último caso, o ser humano controla os computadores de bordo. Já no primeiro, os computadores de todo o carro são controlados por outro computador principal, central, muito inteligente, desenvolvido por empresas como Google, Yandex, Baidu e Cognitive Technologies. Este computador recebe o destino, observa tudo o que está acontecendo ao seu redor, e então decide como navegar até o destino, em que velocidade, por qual rota e assim por diante com base em algoritmos mega-inteligentes, atualizados em nano-segundos.

Uma curta história da digitalização de veículos motorizados

Então, quando começou essa mudança da mecânica para o digital?

Alguns especialistas na área consideram que a informatização da indústria automobilística foi iniciada em 1955 – quando a Chrysler começou a oferecer um rádio transistor como opcional em um de seus modelos. Outros, talvez pensando que um rádio não é realmente um recurso automotivo, consideram que foi a introdução de ignição eletrônica, ABS ou sistemas eletrônicos de controle do motor que marcaram a informatização do automóvel (por Pontiac, Chrysler e GM em 1963, 1971 e 1979, respectivamente).

Não importa quando começou, o que se seguiu foi mais do mesmo: mais eletrônicos; então as coisas começaram a se tornar mais digitais – e as fronteiras entre as duas tecnologias mais difusas. Mas em minha opinião, o início da revolução digital em tecnologias automotivas foi em fevereiro de 1986, quando, na convenção da Society of Automotive Engineers, a empresa Robert Bosch GmbH apresentou ao mundo seu protocolo de rede digital para comunicação entre os componentes eletrônicos de um carro – a CAN (Controller Area Network). E é preciso dar o devido valor àqueles rapazes da Bosch: ainda hoje este protocolo é totalmente relevante – utilizado em praticamente todos os veículos em todo o mundo!

// Um breve resumo sobre a digitalização automotiva após a introdução da CAN:

Os meninos da Bosch nos deram vários tipos de buses CAN (baixa velocidade, alta velocidade, FD-CAN), enquanto hoje existem os FlexRay (transmissão), LIN (bus de baixa velocidade), optical MOST (multimídia) e, finalmente, on-board Ethernet (hoje – 100mbps; no futuro – até 1 Gbps). Quando os carros são projetados hoje em dia, vários protocolos de comunicação são aplicados. Entre eles estão a comunicação por cabo (sistemas elétricos em vez de ligações mecânicas), que nos trouxe os pedais de aceleração eletrônicos, pedais de freios eletrônicos (usados ​​pela Toyota, Ford e GM em seus híbridos e automóveis elétricos desde 1998), freios de mão eletrônicos, caixas de câmbio eletrônicas, e direção eletrônica (usada pela primeira vez pela Infinity em seu Q50 em 2014).

Buses e interfaces BMW

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Aprenda a usar as regras YARA – como prever cisnes negros

Já se passou muito, muito tempo desde que a humanidade teve um ano parecido com este. Acho que nunca conheci um ano com uma concentração tão alta de cisnes negros de vários tipos e formas. E não me refiro ao tipo com penas. Estou falando sobre eventos inesperados com consequências de longo alcance, de acordo com a teoria de Nassim Nicholas Taleb, publicada em 2007.

Exemplo: este vírus horrível que mantém o mundo em lockdown desde março. Acontece que há toda uma família extensa de coronaviridae – várias dezenas delas – e novas são encontrados regularmente. Gatos, cachorros, pássaros e morcegos, todos as pegam. Os humanos não são exceção. Algumas causam resfriados comuns. Outras se manifestam… de forma diferente. Portanto, certamente precisamos desenvolver vacinas para elas, assim como temos para outros vírus mortais, como varíola, poliomielite e outros. Claro, mas ter uma vacina nem sempre ajuda muito. Olhe para a gripe – ainda não há  nenhuma vacina que inocule as pessoas depois de quantos séculos? E, de qualquer maneira, mesmo para começar a desenvolver uma vacina, você precisa saber o que está procurando, e isso parece mais arte do que ciência.

Então, por que estou dizendo isso? Qual é a conexão com… bem, inevitavelmente será uma ciber-curiosidade ou uma viagem exótica, certo?! Hoje começamos com a primeira.

Atualmente, uma das ciberameaças mais perigosas que existem são as de 0-day – vulnerabilidades raras e desconhecidas (para o pessoal da cibersegurança e outros) em softwares que podem causar danos em larga escala, mas que tendem a permanecer desconhecidas até o momento em que são explorados (ou às vezes até depois).

No entanto, os especialistas em cibersegurança têm maneiras de lidar com a ambiguidade e prever os cisnes negros. Neste post, quero falar sobre uma delas: YARA.

Resumidamente, o YARA auxilia na pesquisa e na detecção de malware, identificando arquivos que atendem a certas condições e fornecendo uma abordagem baseada em regras para a criação de descrições de famílias de malware com base em padrões textuais ou binários. (Eita, isso parece complicado. Continue lendo para esclarecimentos.) Portanto, ele é usado para pesquisar malware semelhantes, identificando padrões. O objetivo é poder dizer que certos programas maliciosos parecem ter sido feitos pelas mesmas pessoas, com objetivos semelhantes.

OK, vamos voltar para outra metáfora – outra baseada na água, como o cisne negro: o mar.

Digamos que sua rede seja o oceano, que está repleto de milhares de tipos de peixes e você é um pescador industrial que joga enormes redes no oceano para capturar peixes, mas apenas certas espécies de peixes (malwares criados por grupos específicos de cibercriminosos) são do seu interesse. Agora, a rede de deriva é especial. Ela possui compartimentos e em cada um dos compartimentos só pegam peixes de uma determinada espécie (características de malware).

Então, no final da pescaria, o que você tem é um monte de peixes, todos compartimentados, alguns dos quais são relativamente novos e nunca antes vistos (novas amostras de malware) sobre os quais você não sabe praticamente nada. Mas se eles estiverem em um determinado compartimento, por exemplo “parece com a espécie [grupo de cibercriminosos] X” ou “Parece com a espécie [grupo de cibercriminosos] Y.”

Este artigo ilustra a metáfora do peixe/pesca. Em 2015, nosso guru YARA e chefe do GReAT, Costin Raiu, incorporou o papel de Sherlock para encontrar um exploit no software Silverlight da Microsoft. Você deveria ler esse artigo, mas, resumindo, o que Raiu fez foi examinar cuidadosamente certas correspondências de e-mail vazadas por hackers para montar uma regra YARA praticamente do zero, e isso o ajudou a encontrar a falha, e assim, proteger o mundo do megaproblema. (A correspondência era de uma empresa italiana chamada Hacking Team – hackers hackers hackers!)

Então, sobre essas regras YARA

Há anos ensinamos a arte de criar regras YARA. As ciberameaças que a YARA ajuda a desvendar são bastante complexas, por isso sempre realizamos os cursos presencialmente – offline – e apenas para um grupo restrito dos principais pesquisadores de cibersegurança. É claro que, desde março, o treinamento offline tem sido complicado por causa do lockdown. No entanto, a necessidade de educação quase não desapareceu e, de fato, não vimos nenhuma queda no interesse em nossos cursos.

Isso é natural: os cibervilões continuam a pensar em ataques cada vez mais sofisticados – ainda mais nesse lockdown. Consequentemente, manter nosso know-how especializado sobre YARA para nós mesmos durante a quarentena seria simplesmente errado. Portanto, (1) transferimos nosso formato de treinamento do offline para o online e (2) o tornamos acessível a todos. Não é gratuito, mas para tal curso em tal nível (o mais alto), o preço é muito competitivo e com o mesmo padrão de qualidade que é encontrado no mercado.

Aqui:

Intercepte APTs com YARA como um ninja GReAT

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Seus jogos consomem muitos recursos? Descubra o nosso modo de jogo

Quase 30 anos atrás, em 1993, apareceu a primeira encarnação do celebrado jogo de computador Doom. E foi graças a ela que os poucos (imagine!) donos de computadores domésticos da época descobriram que a melhor forma de se proteger dos monstros era usar espingardas e serras elétricas.

Eu nunca fui muito ligado em jogos (simplesmente por falta de tempo e por estar muito ocupado); no entanto, ocasionalmente, após um longo dia de trabalho árduo, colegas e eu passávamos uma hora ou mais como atiradores em primeira pessoa, conectados em nossa rede local. Até lembro dos campeonatos corporativos de Duke Nukem – tabelas de resultados que viravam assunto na hora do almoço na cantina, e até apostas sendo feitas/pagas para quem vencesse! Portanto, os jogos nunca estiveram muito longe.

Enquanto isso, nosso antivírus apareceu – completo, com grunhido de porco (ative a legenda em inglês no canto inferior direito do vídeo) para assustar até mesmo e o mais temível dos cibermonstros. Os três primeiros lançamentos correram bem. Então veio o quarto. Ele veio com muitas novas tecnologias contra cibermeaças complexas, mas não havíamos pensado bem na arquitetura – e também não a testamos o suficiente. O principal problema era a maneira como o programa consumia recursos, tornando os computadores mais lentos. E o software em geral – e os jogos em particular – estavam se tornando cada vez mais exigentes de recursos a cada dia; a última coisa que alguém precisava era um antivírus ávido por processador e RAM.

Portanto, tínhamos que agir rápido. E foi o que nós fizemos. E então, apenas dois anos depois, lançamos nossa lendária sexta versão, que superou todos os outros antivírus em velocidade (e também em confiabilidade e em flexibilidade). E, nos últimos 15 anos, nossas soluções têm estado entre as melhores em desempenho.

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As 5 maiores tecnologias da Kaspersky que nos levaram ao Global Top-100 de inovação

Conseguimos de novo! Conseguimos de novo! Pela segunda vez, estamos no Derwent Top 100 Global Innovators – uma lista prestigiosa de empresas globais, elaborada com base em seus portfólios de patentes. E quando falo de prestigio é porque na lista estamos lado a lado de empresas como Amazon, Facebook, Google, Microsoft, Oracle, Symantec e Tencent; Além disso, esta seleção não é apenas de empresas aparentemente fortes em termos de patentes: é formada sobre o titânico trabalho analítico da Clarivate Analytics, que avalia mais de 14 mil (!) empresas candidatas em todos os tipos de critérios, dos quais o principal é a taxa de citação, também conhecida como ‘influência’. E como se isso já não fosse difícil o bastante, os requisitos mínimos para inclusão no Top-100 aumentaram, em cinco anos, cerca de 55%:

Explicando de uma maneira detalhada, a taxa de citação é o nível de influência das invenções nas inovações de outras empresas. Para nós, é a frequência com que somos mencionados por outros inventores em suas patentes. E ser mencionado formalmente na patente de outra empresa significa que você surgiu com algo novo e genuinamente inovador e útil, o que ajuda a “algo novo e genuinamente inovador e útil”. É claro que tal sistema estabelecido de reconhecimento de outros inovadores não é um lugar para quem tem meras patentes BS. E é por isso que nenhum deles chega perto deste Top-100. Enquanto isso, nós estamos lá entre as 100 maiores empresas inovadoras globais que realmente impulsionam o progresso tecnológico.

Uau, isso é bom. É como um tapinha nas costas por todo o nosso trabalho árduo: o verdadeiro reconhecimento das contribuições que temos feito. Viva!

Ainda desnorteado (e brilhando!) com tudo isso, e com uma certa curiosidade, fiquei me questionando quais seriam as nossas cinco tecnologias patenteadas que são mais citadas – ou seja, as mais influentes. Então eu dei uma olhada. E aqui está o que eu encontrei…

5º lugar – 160 citações: US8042184B1 – ‘Análise rápida do fluxo de dados quanto à presença de malware’.

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Um sistema de alerta precoce para cyber-rangers (também conhecido como – Adaptive Anomaly Control)

Provavelmente, se você normalmente trabalha no escritório, ele ainda deve estar meio vazio – ou completamente – vazio, como o nosso. Na nossa sede, as únicas pessoas que você vê são os guardas de segurança ocasionais, e o único barulho que você ouve é o zumbido dos sistemas de refrigeração de nossos servidores altamente carregados, pois todo mundo está conectado e trabalhando em casa.

Você nunca imaginaria que, sem serem vistas, nossas tecnologias, especialistas e produtos estão trabalhando 24/7 protegendo o mundo cibernético. Mas eles estão. Porém, ao mesmo tempo, os bandidos estão tramando novos truques desagradáveis. Da nossa parte, temos um sistema de alerta precoce em nossa coleção de ferramentas de proteção cibernética. Mas chegarei a isso daqui a pouco…

O papel de uma mulher ou homem da área de segurança de TI se assemelha, de certa forma, ao de um guarda florestal: capturar os caçadores furtivos (malware) e neutralizar a ameaça que eles representam para os habitantes da floresta. Então, antes de tudo, você precisa encontrá-los. Claro, você pode simplesmente esperar até que o rifle de um caçador caia e corra em direção à origem do som, mas isso não exclui a possibilidade de que você chegue tarde demais e que a única coisa que possa fazer seja limpar a bagunça.

Você pode ficar completamente paranóico: colocando sensores e câmeras de vídeo por toda a floresta, mas pode se sentir reagindo a todo e qualquer farfalhar que apanha (e logo perde o sono, e o juízo). Mas quando você percebe que os caçadores furtivos aprenderam a se esconder muito bem – na verdade, a não deixar nenhum vestígio de sua presença – fica claro que o aspecto mais importante da segurança é a capacidade de separar eventos suspeitos de eventos regulares e inofensivos.

Cada vez mais, os caçadores cibernéticos de hoje estão se camuflando com a ajuda de ferramentas e operações perfeitamente legítimas.

Alguns exemplos: a abertura de um documento no Microsoft Office, o acesso de administrador remoto ao administrador do sistema, o lançamento de um script no PowerShell e a ativação de um mecanismo de criptografia de dados. Depois, há a nova onda do chamado malware sem arquivo, deixando literalmente zero traços no disco rígido, o que limita seriamente a eficácia das abordagens tradicionais de proteção.

Exemplos: (1) o agente de ameaças da Platinum usou tecnologias sem arquivo para penetrar nos computadores das organizações diplomáticas; e (2) documentos de escritório com carga maliciosa foram usados para infecções por phishing nas operações do DarkUniverse APT; e há muito mais. Mais um exemplo: o criptografador de ransomware sem arquivo ‘Mailto’ (também conhecido como Netwalker), que usa um script do PowerShell para carregar código malicioso diretamente na memória de processos confiáveis do sistema.

Agora, se a proteção tradicional não estiver à altura da tarefa, é possível tentar proibir aos usuários toda uma gama de operações e introduzir políticas rígidas de acesso e uso de software. No entanto, considerando isso, os usuários e os bandidos provavelmente encontrarão maneiras de contornar as proibições (assim como a proibição do álcool sempre foi contornada também :).

Muito melhor seria encontrar uma solução que possa detectar anomalias nos processos padrão e que o administrador do sistema seja informado sobre elas. Mas o que é crucial é que essa solução seja capaz de aprender a determinar automaticamente com precisão o grau de “suspeita” dos processos em toda a sua grande variedade, para não atormentar o administrador do sistema com gritos constantes de “lobo!”

Bem, você adivinhou! – temos uma solução: Adaptive Anomaly Control, um serviço construído a partir de três componentes principais – regras, estatísticas e exceções.

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Ciberpassado, oitava parte: 1998-2000 (três estreias: reestruturação, escritório no exterior, conferência de parceiros)

Os primeiros anos após a fundação da empresa foram os mais difíceis de todos, porque realmente tivemos que suar de verdade, nos dedicar para valer. Era como se estivéssemos comprimindo uma mola para que ela fosse lançada mais tarde para levar a empresa ao alto e muito além do horizonte e na direção certa de sonhos ambiciosos (tenha cuidado com o que você deseja de verdade :). Após o registro formal da KL em 1997, com muito pouco fizemos muito. Não tínhamos dinheiro e quase nenhum recurso, mas o transportador de segurança cibernética não espera por ninguém: novas tecnologias eram necessárias e o mercado exigia novos produtos. Por isso, trabalhavam duro, na maioria dos fins de semana e quase sem férias. Então, no que estávamos trabalhando? Aqui está um exemplo …

Junho de 1998: a epidemia global do vírus de Chernobyl (CIH). As outras empresas de antivírus não perceberam ou não se incomodaram ou estavam de férias; nós éramos praticamente os únicos com um produto que não apenas detectava, mas também curava sistemas infectados com esse patógeno. O www (ou seja, não apenas o Runet 🙂 traçou links para o nosso site. Foi assim que fomos recompensados por nossas reações super-rápidas a novas ameaças – além de nossa capacidade de lançar atualizações rápidas com procedimentos para o tratamento de ameaças específicas. Embora essa ameaça específica a vírus tenha sido incrível e habilmente instalada na memória do Windows, chamadas de acesso a arquivos de forma geral e arquivos executáveis infectados – todos exigiram um processo de dissecção personalizado que seria impossível fornecer sem a funcionalidade flexível das atualizações.

Então, foi difícil: sim; mas estávamos obtendo resultados e crescendo. E então, dois meses depois, recebemos uma mão amiga (do destino ?!) do tipo mais inesperado …

Agosto de 1998: a crise financeira russa, com desvalorização do rublo, mais a Rússia inadimplente com sua dívida. Foi ruim para a maioria dos russos em geral, mas tivemos muita sorte: todos os nossos parceiros estrangeiros nos pagaram antecipadamente em moeda estrangeira. Nós éramos exportadores. Nossa moeda operacional / de trabalho – um rublo fortemente desvalorizado; nossa renda – dólares, libras esterlinas, ienes etc. Estávamos indo bem!

Mas não descansamos em nossos louros da sorte em meio à crise financeira. Usamos o período também para contratar novos profissionais – caros! – gerentes. Logo tínhamos diretores comerciais, técnicos e financeiros. E logo depois, começamos a contratar gerentes de nível intermediário também. Esta foi a nossa primeira ‘reestruturação’ – quando a ‘equipe’ se tornou uma ‘empresa’; quando as relações amigáveis e orgânicas foram substituídas por uma estrutura organizacional mais formal, subordinação e responsabilidade. A reestruturação poderia ter sido dolorosa; felizmente, não foi: seguimos sem muita saudade dos velhos tempos de clima familiar.

// Com relação a esse tipo de reorganização, reestruturação e ‘greengineering’ – eu recomendo o livro Reengineering the Corporation, de Michael Hammer e James Champy. É realmente muito bom. Outros livros úteis – aqui.

Em 1999, abrimos nosso primeiro escritório no exterior – em Cambridge, no Reino Unido. Mas, como o mercado britânico é talvez um dos mais difíceis de se inserir para estrangeiros, por que ir para lá? Na verdade, foi meio que por acaso (eu vou te contar como a seguir). Ainda assim, tivemos que começar em algum lugar e, de qualquer maneira, nossas primeiras experiências – incluindo muitos erros e lições aprendidas – no Reino Unido ajudaram a tornar o desenvolvimento dos negócios em outros países muito mais suave…

Nossa primeira turnê de imprensa ocorreu em Londres, já que estávamos na capital britânica para uma conferência de segurança de TI (InfoSecurity Europe). Na turnê de imprensa, anunciamos orgulhosamente nossa intenção de abrir um escritório no Reino Unido. Mas os jornalistas simplesmente perguntavam o motivo, já que já havia Sophos, Symantec, McAfee e etc. já confortavelmente estabelecidas no país. Então, mudamos para o modo nerd: contamos a eles tudo sobre como nossa empresa era verdadeiramente inovadora, tudo sobre nossas tecnologias e produtos exclusivos e como – por causa deles – somos melhores do que toda a concorrência que eles acabaram de mencionar. Tudo isso foi observado com muito interesse e surpresa (e outro bônus: desde então nunca foram feitas perguntas tolas!). Enquanto isso, na InfoSecurity Europe, dei meu primeiro discurso a um público de língua inglesa composto por … dois jornalistas, que eram nossos amigos no Virus Bulletin, que já sabiam muito sobre nós! Ainda assim, essa foi a primeira e a última vez que nossas apresentações não foram realizadas em casa cheia (mais detalhes: aqui).

No que diz respeito à nossa primeira conferência de parceiros, foi assim que tudo aconteceu …

Em algum momento do inverno de 1998-1999, fomos convidados para a conferência de parceiros do nosso parceiro OEM F-Secure (Data Fellows). E foi assim que aprendemos sobre todo o formato de conferência de parceiros e como é uma ótima idéia: reunir todos, compartilhar todas as informações mais recentes sobre tecnologias e produtos, ouvir as preocupações e problemas dos parceiros e discutir novas ideias. Como não somos de perder tempo – em um ano (em 1999), organizamos nossa própria conferência de parceiros, convidando cerca de 15 parceiros da Europa, EUA e México para Moscou. Aqui estamos todos, na Praça da Revolução, ao lado da Praça Vermelha e do Kremlin:

 

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Brincando de esconde e esconde – com malwares sem arquivos

Códigos maliciosos… chegam por todo os lugares…

É um pouco parecido com um gás, que sempre preenche o espaço em que se encontra, mas diferente: sempre passa por “buracos” (vulnerabilidades) em um sistema de computador. Portanto, nosso trabalho (aliás, um deles) é encontrar esses buracos e abri-los. Nosso objetivo é fazer isso de forma proativa; isto é, antes que o malware os tenha descoberto ainda. E se o malware encontrar esses buracos, estaremos aguardando, prontos para atacá-lo.

Na verdade, é uma proteção proativa e a capacidade de prever as ações dos invasores e criar uma barreira antecipada que possa distinguir a cibersegurança genuinamente de excelência e alta tecnologia do marketing BS.

Hoje quero falar sobre outra maneira pela qual nossa proteção proativa protege contra outro tipo de malware, particularmente astuto. Sim, quero falar sobre algo chamado código malicioso sem arquivo (também conhecido como sem corpo) – uma raça perigosa de malware fantasma que aprendeu a usar as desvantagens de arquitetura do Windows para infectar computadores. E sobre a nossa tecnologia patenteada que combate essa ciberdoença específica. E farei como você gosta: coisas complexas explicadas simplesmente, de maneira leve e emocionante de um ciberthriller com elementos de suspense).

Primeiro, o que significa sem arquivo?

Bem, o código sem arquivo, uma vez inserido em um sistema de computador, não cria cópias de si mesmo na forma de arquivos em disco, evitando assim a detecção por métodos tradicionais como, por exemplo, com um monitor antivírus.

Então, como existe esse ‘malware fantasma’ dentro de um sistema? Na verdade, ele reside na memória de processos confiáveis! Sim. Eek.

No Windows (na verdade, não apenas no Windows), sempre existiu a capacidade de executar código dinâmico, o qual, em particular, é usado para compilação just-in-time; isto é, transformar o código do programa em código de máquina não imediatamente, mas como e quando for necessário. Essa abordagem aumenta a velocidade de execução de alguns aplicativos. E para oferecer suporte a essa funcionalidade, o Windows permite que os aplicativos insiram o código na memória de processo (ou mesmo em outra memória confiável de processo) e o executem.

Dificilmente isso pode ser considerado uma ótima ideia, do ponto de vista de segurança, mas o que você pode fazer? É assim que milhões de aplicativos escritos em Java, .NET, PHP, Python e outras linguagens e para outras plataformas estão trabalhando há décadas.

Previsivelmente, os cibercriminosos aproveitaram a capacidade de usar código dinâmico, inventando vários métodos para abusar dele. E um dos métodos mais convenientes e, portanto, mais difundidos que eles usam, é algo chamado injeção reflexiva. É o quê?! Deixe-me explicar (isso é bastante interessante, por favor, tenha paciência comigo:)…

Iniciar um aplicativo ao clicar no ícone – bem simples e direto, certo? Parece simples, mas, na verdade, existe todo o tipo de coisas: um carregador de sistema é acionado, no qual pega o respectivo arquivo do disco, carrega-o na memória e executa-o. E esse processo padrão é controlado por monitores antivírus, que verificam a segurança do aplicativo em tempo real.

Agora, quando há uma “reflexão”, o código é carregado ignorando o carregador do sistema (e, portanto, também ignorando o monitor antivírus). O código é colocado diretamente na memória de um processo confiável, criando um “reflexo” do módulo executável original. Essa reflexão pode ser executada como um módulo real carregado por um método padrão, mas não estará registrado na lista de módulos e, como mencionado acima, não possui um arquivo em disco.

Além disso, diferentemente de outras técnicas para injetar código (por exemplo, via shellcode), uma injeção de reflexão permite criar códigos funcionalmente avançados em linguagens de programação de alto nível e estruturas de desenvolvimento padrão sem praticamente nenhuma limitação. Então, o que você tem é: (i) nenhum arquivo, (ii) ocultação por trás de processos confiáveis, (iii) invisibilidade às tecnologias de proteção tradicionais e (iv) caminho livre para causar estragos.

Então, naturalmente, as injeções reflexivas foram um mega sucesso entre os desenvolvedores de códigos maliciosos: primeiro eles apareceram em pacotes de exploração, depois ciberespiões entraram no jogo (por exemplo, Lazarus e Turla) e depois cibercriminosos avançados (como uma forma prática e legítima de executar códigos complexos!), e depois pequenos cibercriminosos.

Agora, do outro lado das barricadas, encontrar uma infecção sem arquivos não é um passeio em um ciberparque. Portanto, não é de se admirar que a maioria das marcas de cibersegurança não estejam muito entusiasmadas. Algumas dificilmente conseguem fazer isso.

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Explorando a Rússia: Turismo ÷ lockdown × Acelerador = 3 vencedores!

No meio da primavera passada, quando estávamos todos presos em casa, ficou claro que as coisas pareciam obscuras para o mundo e permaneceriam assim por muito tempo. As empresas seriam duramente atingidas, para dizer o mínimo, enquanto o setor de turismo sofreria bastante impacto e muitas empresas não passariam pela crise. Então, na K, fizemos o que sempre fazemos: pense seriamente e encontre uma solução para ajudar as indústrias mais impactadas diante do cenário.

No início de maio, anunciei que o acelerador de turismo “Kaspersky Exploring Russia” havia começado a aceitar solicitações. Mas nunca pensei que receberíamos mais de 500, de 47 países (quase um quarto de todos os países do mundo!) Dos cinco continentes (todos, exceto a Antártica!). Ao analisar todas essas propostas, percebi o potencial da indústria do turismo: tantas ideias, startups e projetos. Não impusemos nenhum tipo de limitação geográfica nas propostas: elas poderiam ter vindo, e de fato vieram de diversas partes do mundo, apenas tiveram que apresentar projetos turísticos que deveriam abordar o potencial do turismo russo ou replicáveis na Rússia. Examinamos todos os aplicativos para escolher as 10 principais ideias e essas 10 foram inseridas no programa acelerador.

E por duas semanas, os 10 projetos participaram de master classes e conferências online. Cada equipe teve uma série de reuniões de densevolvimento com mentores. Os principais profissionais do setor compartilharam suas experiências e conhecimentos com os participantes para construir um negócio de sucesso. Alguns nomes que participaram da mentoria foram Vikas Bhola, diretor regional do Booking.com; Gemma Rubio, fundadora da Define the Fine; Vadim Mamontov, CEO da Russia Discovery; e outros profissionais do setor. Durante essas duas semanas, os participantes finalizaram seus projetos e apresentaram ao júri, inclusive para mim.

Na semana passada, os finalistas fizeram as suas apresentações e responderam às nossas perguntas no último dia do proceso de incubação. Entre os participantes, selecionamos três vencedores, que receberam prêmios de nossos parceiros. Vou contar um pouco sobre cada um deles …

O primeiro lugar foi ocupado pelo 360 Stories, um aplicativo de realidade aumentada com visitas guiadas ao vivo. Eles afirmam que sua missão é “modernizar a experiência tradicional do turismo, promovendo passeios interativos ao vivo usando guias em tempo real”. Com o 360 Stories, as pessoas agora podem visitar remotamente suas cidades e atrações favoritas, inscrevendo-se para uma experiência turística personalizada com um guia local em tempo real.

É digno de nota: o 360 Stories quase acabou perdendo, adormeceu e desapareceu! A apresentação foi feita às 5:30 da manhã, horário local de Nova York. No meio da madrugada, o Sr. 360 Stories adormeceu, apesar de ter colocado o despertador. Por fim, ele acordou e ligou para os organizadores para perguntar por que tinha 20 ligações não atendidas no telefone: “Você ganhou! Onde você está?”

Leia em:Explorando a Rússia: Turismo ÷ lockdown × Acelerador = 3 vencedores!

Cibernotícias do lado sombrio: vulnerabilidades inesperadas, hacking como serviço e spaceOS

Nosso primeiro mês de verão em confinamento acabou. E, embora as fronteiras do mundo pareçam está se abrindo cada vez mais, nós da Kaspersky decidimos não arriscar e permaneceremos trabalhando em casa. Mas isso não significa que nossa performance diminuiu: afinal, os cibercriminosos com certeza não estão de folga. Não houve grandes mudanças no cenário global de ameaças recentes. Mesmo assim esses cibercriminosos, como sempre, tiram cibertruques de suas cartolas. Então, aqui estão alguns casos do mês passado.

Vulnerabilidade zero-day no “super seguro” Linux Tails

O Facebook com certeza sabe como gastar. E ele gastou uma quantia de seis dígitos quando patrocinou a criação de uma exploração zero-day em uma vulnerabilidade no sistema operacional Tails (Linux, especialmente ajustado para aumentar a privacidade). Essa vulnerabilidade foi usada em uma investigação do FBI, que levou à captura de um pedófilo. Já se sabia há algum tempo que esse criminoso usava esse sistema operacional específico – que é particularmente seguro -. O primeiro passo do Facebook foi usar sua força no mapeamento de contas para conectar todas as que o criminoso usou. No entanto, converter essa cibervitória em um endereço físico não deu certo. Aparentemente, eles ordenaram o desenvolvimento de uma exploração para um aplicativo de player de vídeo. Essa escolha de software fazia sentido, já que o pedófilo pedia os vídeos de suas vítimas e provavelmente os assistia no mesmo computador.

Foi noticiado que os desenvolvedores do Tails não foram informados sobre a vulnerabilidade explorada, mas depois foi descoberto que ela já estava corrigida. Os funcionários da empresa mantêm o controle sobre tudo isso, mas o que está claro é que uma vulnerabilidade encomendada não é a melhor publicidade existente. Ainda existe alguma esperança de que a ameaça tenha sido direcionada para uma única vida, particularmente desagradável, e que isso não se repita para um usuário comum.

O ponto principal é: não importa o quão super mega seguro um projeto baseado em Linux afirme ser, não há garantia de que não haja vulnerabilidades nele. Para garantir isso, todos os princípios básicos de trabalho e a arquitetura de todo o sistema operacional precisam ser revisados. Erm, sim, na verdade, esta é uma boa oportunidade para fazer isso).

Hacking como serviço

Temos outra história sobre ciberataque sob medida. O grupo de cibercriminosos Dark Basin (supostamente indiano) foi pego com a mão na massa. Esse grupo é responsável por mais de mil hacks sob encomenda. Os alvos incluem burocratas, jornalistas, candidatos políticos, ativistas, investidores e empresários de vários países. Curiosamente, os hackers de Déli usaram ferramentas realmente simples e primitivas: primeiro eles criaram e-mails de phishing feitos para parecer que são de um colega ou amigo, juntaram atualizações falsas do Google Notícias sobre tópicos interessantes para o usuário e enviaram mensagens diretas semelhantes no Twitter. Em seguida, eles enviaram e-mails e mensagens contendo links encurtados para sites de phishing de credenciais que parecem sites genuínos, e foi isso – credenciais roubadas, outras coisas roubadas. E é isso! Nenhum malware complexo ou explorações! E aliás: parece que as informações iniciais sobre o que uma vítima está interessada sempre vieram da parte que ordenou o ciberataque..

Agora, o cibercrime sob encomenda é popular e está por aí há tempos. Nesse caso, os hackers levaram o produto para um outro nível – transportador – terceirizando milhares de acessos.

Fonte

Leia em:Cibernotícias do lado sombrio: vulnerabilidades inesperadas, hacking como serviço e spaceOS