Mais Arquivos. junho 2020

Cibernotícias da quarentena: 92 de Março de 2020

Muita gente pelo mundo já está há cerca de três meses em lockdown! E você deve ter ouvido falar de um certo filme nesses últimos três meses, tenho certeza. Mas venho compartilhar uma nova opinião: Feitiço do Tempo não é mais um filme engraçado! Sem falar no clima: se o tempo está fechado, chuvoso e com cara de inverno, é um infortúnio extra para todos (além da quarentena); por outro lado, se está bom, seco e ensolarado, também é ruim, já que ninguém pode sair para aproveitar.

Mesmo assim, eu acho que talvez seja algum tipo de consolação o fato de que a maioria de nós está passando pela mesma coisa em casa. Talvez. Mas isso serve para nós, pessoas normais/boas. Mas e os cibercriminosos? Como eles estão “enfrentando” tudo isso, enfiados em casa? Bom, na outra semana eu passei para vocês algumas estatísticas e tendências sobre o tema. Hoje, eu quero seguir o assunto com uma atualização – porque, sim, os golpistas agem rapidamente. //Ah, e por falar nisso – se você estiver interessado em mais cibercontos do lado obscruso, também chamado de i-news, confira a nossa tag.

Para começar, mais algumas estatísticas atualizadas e tranquilizadoras.

Em março e especialmente em abril, houve um grande salto na atividade cibercriminosa de um modo geral; no entanto, em maio houve uma queda acentuada, de volta para os níveis anteriores ao coronavírus de janeiro a fevereiro:

Ao mesmo tempo, percebemos uma queda significativa em todos os números de malwares relacionados ao coronavírus:

Leia em:Cibernotícias da quarentena: 92 de Março de 2020

Ciberpassado: terceira parte – 1992-199x

Caso você tenha perdido os primeiros posts, este é o terceiro episódio das minhas crônicas do ciberpassado. Já que estou de lockdown como a maioria das pessoas, tenho mais disponibilidade para relembrar a história da Kaspersky no mundo da cibersegurança. Normalmente, eu estaria em aviões, voando daqui para ali a negócios e turismo – o que ocupa a maior parte do meu tempo. Mas como nada disso – pelo menos offline/pessoalmente – é possível no momento, estou aproveitando para manter um fluxo constante de nostalgia pessoal/Kaspersky Lab / ciber-histórico: nesta publicação- do início até meados dos anos 90.

Um erro de digitação que deixa uma marca

No começo de tudo, todas as nossas ferramentas de antivírus eram nomeadas seguindo o modelo “- *.EXE”. Era, por exemplo, ‘-V.EXE’ (scanner antivírus), ‘-D.EXE’ (monitor residente), ‘-U.EXE’ (ferramentas). O prefixo ‘-‘ era usado para garantir que nossos programas estariam no início da lista em um gerenciador de arquivos (um bom geek segue todos os movimentos inteligentes das relações públicas desde o início).

Mais tarde, quando lançamos nosso primeiro produto completo, ele foi chamado de ‘Antiviral Toolkit Pro’. Logicamente, isso deveria ter sido abreviado para ‘ATP’; mas não foi …

Por volta do final de 1993 ou início de 1994, Vesselin Bontchev, que se lembrava de minhas reuniões anteriores (leia mais em Ciberpassado: Primeira Parte – 1989 – 1991), me pediu uma cópia do nosso produto para testar no Centro de Testes de Vírus da Universidade de Hamburgo, onde trabalhava na época. Obviamente, agradeci e, enquanto zipava os arquivos, acidentalmente o nomeei como AVP.ZIP (em vez de ATP.ZIP) e, em seguida, fiz o envio para Vesselin. Algum tempo depois, Vesselin me pediu permissão para colocar o arquivo em um servidor FTP (para que ele estivesse disponível publicamente), e obviamente aceite. Uma ou duas semanas depois, ele me disse: ‘Seu AVP está se tornando realmente popular no FTP!’

‘Qual AVP?’, perguntei.

‘Como assim, qual AVP? Aquele que você me enviou, claro!’

‘O QUE?! Por favor, troque o nome do arquivo – foi um erro!’

‘Já era. Já está publicado – e conhecido como AVP!’

E foi assim: ficamos conhecidos como AVP! Por sorte, conseguimos mais ou menos improvisar – Anti-Viral toolkit Pro. Mas, como eu disse, só mais ou menos. Bom, já que foi assim: todos as nossas ferramentas foram renomeadas deixando o prefixo ‘-‘ e adicionando AVP no lugar – e essa nomenclatura é usada até hoje em alguns de nossos módulos.

Primeira viagem de negócios – para o evento CeBIT na Alemanha

Em 1992, Alexey Remizov – meu chefe na KAMI, onde trabalhei pela primeira vez – me ajudou a obter meu primeiro passaporte de viagem ao exterior e me levou para a exposição CeBIT em Hannover, na Alemanha. Fizemos uma posição modesta, compartilhada com algumas outras empresas russas. Nossa mesa estava parcialmente coberta com a tecnologia de computadores KAMI, e na outra parte estavam nossas ofertas de antivírus. Fomos recompensados ​​com alguns poucos novos negócios, mas nada extraordinário. Mesmo assim, foi uma viagem muito útil…

Nossa sensação de participar do evento CeBIT como expositor naquela época, foi como se estivéssemos vivendo um sonho. Era tão grande! E fazia pouco tempo da reunificação da Alemanha, então, para nós, era tudo muito no estilo Alemanha Ocidental – o capitalismo informático estava em polvorosa. De fato, era um grande choque cultural (seguido de um segundo choque cultural quando chegamos de volta a Moscou – falamos disso mais tarde).

Frente a magnitude do CeBIT, nosso pequeno stand compartilhado quase não foi notado. Ainda assim, foi o proverbial ‘pé na porta’ ou ‘o primeiro passo é o mais difícil’ ou algo parecido. Por isso repetimos a visita ao CeBIT, quatro anos depois – o tempo para começar a construir nossa rede de parceiros europeus (e depois globais). Mas esse é um tópico para outro dia outra publicação (acho que pode ser interessante, especialmente para as pessoas que começam suas longas jornadas de negócios).

Aliás, até então, eu entendi que nosso projeto precisava muito de pelo menos algum tipo de suporte de relações públicas/marketing. Mas como não tínhamos dinheiro, e os jornalistas nunca tinham ouvido falar de nós, foi difícil conseguir esse apoio. Ainda assim, como resultado direto de nossa primeira viagem ao CeBIT, conseguimos uma matéria escrita sobre nós na revista russa de tecnologia ComputerPress em maio de 1992: relações públicas por conta própria!

Fee-fi-fo-fum, sinto os dólares dos ingleses!

Minha segunda viagem de negócios foi em junho/julho daquele mesmo ano – para o Reino Unido. O resultado dessa viagem foi outro artigo, desta vez no Virus Bulletin, intitulado Os Russos estão chegando, que foi nossa primeira publicação estrangeira. Aliás, no artigo são mencionados ’18 programadores’. Provavelmente havia 18 pessoas trabalhando na KAMI em geral, mas em nosso departamento de antivírus, éramos apenas nós três.

Londres, junho de 1992

Leia em:Ciberpassado: terceira parte – 1992-199x

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