CIBERPASSADO: SEXTA PARTE – Falando com a mídia

Na semana passada, percebi que completei um trimestre inteiro em lockdown / isolamento / quarentena. Três meses em casa, com apenas algumas breves viagens ao escritório deserto, além de todo fim de semana na dacha com a família igualmente isolada. Assim como tem sido para todos, uma existência diária muito extraordinária. Para mim (sem aviões/aeroportos, hotéis, reuniões ou discursos, enfim), poucas viagens.

No entanto, tudo é relativo: em três meses, viajamos mais de 230 milhões de quilômetros (um quarto de uma órbita completa da Terra ao redor do sol)! E isso sem levar em conta o fato de que o próprio Sistema Solar viaja a uma velocidade louca. Uma coisa que não mudou muito desde o início do lockdown são as reuniões de negócios – elas simplesmente foram todas transferidas para o ambiente online. Ah, sim: e todos os nossos negócios em geral estão funcionando como de costume, não afetados por vírus biológicos).

Mas chega de conversa fiada; minhas histórias do ciberpassado; desta vez, entrevistas com jornais, revistas, rádio, TV, além de várias outras apresentações públicas. (Lembrei da minha atividade de “relações com a mídia” ao contar sobre minha semana de entrevistas na CeBIT há muito tempo, outro dia, ao compilar minhas lembranças do CeBIT (Ciberpassado: quarta parte). E acontece que tenho muito a contar sobre experiências interessantes conversando com a mídia e falando em público, e tudo mais (muitas coisas divertidas e incomuns, além de, claro, algumas fotos (brilhantes e polidas) também).

E também tenho todo tipo de histórias com a mídia: de discursos em salas praticamente vazias a estádios lotados! Desde pequenas publicações de mídia locais desconhecidas até conglomerados de nomes de família de mídia global de primeira linha! Desde palestras profissionais nas principais universidades e/ou com públicos especialistas em tecnologia até palestras informais sobre as maravilhas da aritmética em um navio indo para a… Antártica via Passagem de Drake!

Certo. Eu acho que o mais lógico é começar pelo início…

Leia em:CIBERPASSADO: SEXTA PARTE – Falando com a mídia

CIBERPASSADO: QUINTA PARTE – 1996 (O ano em que tudo mudou)

Aqui estamos, com mais histórias do passado e como nossa empresa passou de um começo humilde para o que somos hoje. E essa série  de ciberpassado, criada graças à… quarentena! De outra forma, eu nunca encontraria tempo para tantos meandros de cibermemórias.

Caso você tenha perdido, aqui estão os fascículos anteriores:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Beleza. Parte 5: 1996. Verdadeiramente um ano fatídico e divisor de águas…

Primeiramente, na KAMI, onde eu ainda trabalhava, os sócios decidiram se separar. Por isso, a empresa foi dividida em várias organizações independentes. E no ano seguinte – 1997 – também nos separamos.

Em segundo lugar, assinamos um contrato de OEM (fabricante de equipamento original, na sigla em inglês) com a empresa alemã G-Data, para fornecer a eles nossa tecnologia antivírus. Esse contrato durou 12 anos (até 2008!) quando nos tornamos o número 1 no mercado alemão de varejo. Foi assim que aconteceu. Nossa destreza tecnológica original era imparável! Mas o que deveríamos fazer? Enfim, foi a G-Data que nos abordou (não éramos capazes de procurar ativamente parceiros na época), oferecendo Remizov – chefe da KAMI – cooperação, culminando na assinatura do contrato na CeBIT, conforme descrito na Parte 4. E foi assim que nosso negócio de licenças de tecnologia decolou.

Depois dos alemães (em 1995) vieram os finlandeses – F-Secure (em 1996), então conhecidos como Data Fellows. Vou contar sobre como começou nossa cooperação com eles.

Em agosto de 1995, o primeiro vírus de macro apareceu, infectando documentos do Microsoft Word. Desenvolver este tipo de ameaça era muito simples e eles estavam sendo espalhados em uma velocidade alarmante entre muitos usuários desavisados. Isso chamou a atenção de outros criadores de vírus e, muito rapidamente, os vírus de macro se tornaram a maior dor de cabeça para a indústria de antivírus. Detectá-los estava longe de ser fácil, pois o formato de um documento do Word é mais complexo (quem sabia? :). Assim, por vários meses, as empresas de antivírus tentaram vários métodos, até que, no início de 1996, a McAfee (a empresa 🙂 anunciou o método de desmontagem “correto” para o formato de documentos do Word. Essas notícias foram divulgadas por nosso colega Andrey Krukov (que se uniou a nós em 1995) e ele rapidamente apresentou uma solução tecnológica mais elegante e eficaz. Fiz essa notícia correr e logo as empresas começaram a se aproximar de nós com ofertas para comprar nossa tecnologia. Tendo recebido várias dessas ofertas, marcamos um encontro com todas elas em um evento que iria acontecer- a Conferência do Virus Bulletin, em Brighton, Reino Unido, para onde Andrey e eu viajamos no outono de 1996.

Em Brighton, as coisas praticamente não saíram conforme planejadas: nenhuma das reuniões resultou em contratos! Contudo…

Leia em:CIBERPASSADO: QUINTA PARTE – 1996 (O ano em que tudo mudou)

Flickr photostream

  • Sochi / Sep 2020
  • Sochi / Sep 2020
  • Sochi / Sep 2020
  • Sochi / Sep 2020

Instagram

Ciberpassado: quarta parte – CeBIT

Finalmente, o verão chegou. Já era hora! Mas não tenho certeza se é uma bênção como sempre, pois ainda estamos todos sentados em casa trabalhando remotamente. Certamente, houve ‘afrouxamentos’ aqui e ali ao redor do mundo, mas nós aqui na K não temos pressa em… apressar as coisas. Eu acho que isso vale também para outras empresas de TI que trabalharão em casa até o nosso próximo outono, enquanto algumas companhias indicaram que permanecerão em casa até o final do ano. E, é claro, as viagens de negócios ainda estão canceladas, assim como exposições e conferências, Jogos Olímpicos e Festival de Cannes, além de vários outros eventos de grande escala. Alguns países ainda estão com as fronteiras fechadas.

Então sim: todos nós ainda estamos presos, sem sair muito de casa, e ficando um pouco loucos com essa situação. Pelo menos é assim que as coisas estão para muitos, tenho certeza. Há quem aproveite todo o tempo extra e faça uma carga exaustiva de exercícios! Definitivamente não sou desse time, nem totalmente oposto. Às vezes cansado de viver a mesma coisa todos os dias, mas me mantendo ocupado. E isso inclui tirar o pó e vasculhar meus arquivos para desenterrar algumas fotos antigas, que levam a boas lembranças (além de lembretes da rapidez com que o mundo está mudando), o que leva a… meu próximo post sobre o ciberpassado!

Sim, esta série combina cibernostalgia, além de várias informações pessoais e comerciais que aprendi ao longo dessa longa trajetória em cibersegurança, espero que sejam úteis para alguns ou interessantes para outros. Enfim, sigo hoje com a parte quatro, e continuo minhas histórias, iniciadas na parte três, sobre a CeBIT…

CeBIT – nós amávamos demais! Era tudo tão novo e diferente e intenso e…

Leia em:Ciberpassado: quarta parte – CeBIT

Cibernotícias da quarentena: 92 de Março de 2020

Muita gente pelo mundo já está há cerca de três meses em lockdown! E você deve ter ouvido falar de um certo filme nesses últimos três meses, tenho certeza. Mas venho compartilhar uma nova opinião: Feitiço do Tempo não é mais um filme engraçado! Sem falar no clima: se o tempo está fechado, chuvoso e com cara de inverno, é um infortúnio extra para todos (além da quarentena); por outro lado, se está bom, seco e ensolarado, também é ruim, já que ninguém pode sair para aproveitar.

Mesmo assim, eu acho que talvez seja algum tipo de consolação o fato de que a maioria de nós está passando pela mesma coisa em casa. Talvez. Mas isso serve para nós, pessoas normais/boas. Mas e os cibercriminosos? Como eles estão “enfrentando” tudo isso, enfiados em casa? Bom, na outra semana eu passei para vocês algumas estatísticas e tendências sobre o tema. Hoje, eu quero seguir o assunto com uma atualização – porque, sim, os golpistas agem rapidamente. //Ah, e por falar nisso – se você estiver interessado em mais cibercontos do lado obscruso, também chamado de i-news, confira a nossa tag.

Para começar, mais algumas estatísticas atualizadas e tranquilizadoras.

Em março e especialmente em abril, houve um grande salto na atividade cibercriminosa de um modo geral; no entanto, em maio houve uma queda acentuada, de volta para os níveis anteriores ao coronavírus de janeiro a fevereiro:

Ao mesmo tempo, percebemos uma queda significativa em todos os números de malwares relacionados ao coronavírus:

Leia em:Cibernotícias da quarentena: 92 de Março de 2020

Ciberpassado: terceira parte – 1992-199x

Caso você tenha perdido os primeiros posts, este é o terceiro episódio das minhas crônicas do ciberpassado. Já que estou de lockdown como a maioria das pessoas, tenho mais disponibilidade para relembrar a história da Kaspersky no mundo da cibersegurança. Normalmente, eu estaria em aviões, voando daqui para ali a negócios e turismo – o que ocupa a maior parte do meu tempo. Mas como nada disso – pelo menos offline/pessoalmente – é possível no momento, estou aproveitando para manter um fluxo constante de nostalgia pessoal/Kaspersky Lab / ciber-histórico: nesta publicação- do início até meados dos anos 90.

Um erro de digitação que deixa uma marca

No começo de tudo, todas as nossas ferramentas de antivírus eram nomeadas seguindo o modelo “- *.EXE”. Era, por exemplo, ‘-V.EXE’ (scanner antivírus), ‘-D.EXE’ (monitor residente), ‘-U.EXE’ (ferramentas). O prefixo ‘-‘ era usado para garantir que nossos programas estariam no início da lista em um gerenciador de arquivos (um bom geek segue todos os movimentos inteligentes das relações públicas desde o início).

Mais tarde, quando lançamos nosso primeiro produto completo, ele foi chamado de ‘Antiviral Toolkit Pro’. Logicamente, isso deveria ter sido abreviado para ‘ATP’; mas não foi …

Por volta do final de 1993 ou início de 1994, Vesselin Bontchev, que se lembrava de minhas reuniões anteriores (leia mais em Ciberpassado: Primeira Parte – 1989 – 1991), me pediu uma cópia do nosso produto para testar no Centro de Testes de Vírus da Universidade de Hamburgo, onde trabalhava na época. Obviamente, agradeci e, enquanto zipava os arquivos, acidentalmente o nomeei como AVP.ZIP (em vez de ATP.ZIP) e, em seguida, fiz o envio para Vesselin. Algum tempo depois, Vesselin me pediu permissão para colocar o arquivo em um servidor FTP (para que ele estivesse disponível publicamente), e obviamente aceite. Uma ou duas semanas depois, ele me disse: ‘Seu AVP está se tornando realmente popular no FTP!’

‘Qual AVP?’, perguntei.

‘Como assim, qual AVP? Aquele que você me enviou, claro!’

‘O QUE?! Por favor, troque o nome do arquivo – foi um erro!’

‘Já era. Já está publicado – e conhecido como AVP!’

E foi assim: ficamos conhecidos como AVP! Por sorte, conseguimos mais ou menos improvisar – Anti-Viral toolkit Pro. Mas, como eu disse, só mais ou menos. Bom, já que foi assim: todos as nossas ferramentas foram renomeadas deixando o prefixo ‘-‘ e adicionando AVP no lugar – e essa nomenclatura é usada até hoje em alguns de nossos módulos.

Primeira viagem de negócios – para o evento CeBIT na Alemanha

Em 1992, Alexey Remizov – meu chefe na KAMI, onde trabalhei pela primeira vez – me ajudou a obter meu primeiro passaporte de viagem ao exterior e me levou para a exposição CeBIT em Hannover, na Alemanha. Fizemos uma posição modesta, compartilhada com algumas outras empresas russas. Nossa mesa estava parcialmente coberta com a tecnologia de computadores KAMI, e na outra parte estavam nossas ofertas de antivírus. Fomos recompensados ​​com alguns poucos novos negócios, mas nada extraordinário. Mesmo assim, foi uma viagem muito útil…

Nossa sensação de participar do evento CeBIT como expositor naquela época, foi como se estivéssemos vivendo um sonho. Era tão grande! E fazia pouco tempo da reunificação da Alemanha, então, para nós, era tudo muito no estilo Alemanha Ocidental – o capitalismo informático estava em polvorosa. De fato, era um grande choque cultural (seguido de um segundo choque cultural quando chegamos de volta a Moscou – falamos disso mais tarde).

Frente a magnitude do CeBIT, nosso pequeno stand compartilhado quase não foi notado. Ainda assim, foi o proverbial ‘pé na porta’ ou ‘o primeiro passo é o mais difícil’ ou algo parecido. Por isso repetimos a visita ao CeBIT, quatro anos depois – o tempo para começar a construir nossa rede de parceiros europeus (e depois globais). Mas esse é um tópico para outro dia outra publicação (acho que pode ser interessante, especialmente para as pessoas que começam suas longas jornadas de negócios).

Aliás, até então, eu entendi que nosso projeto precisava muito de pelo menos algum tipo de suporte de relações públicas/marketing. Mas como não tínhamos dinheiro, e os jornalistas nunca tinham ouvido falar de nós, foi difícil conseguir esse apoio. Ainda assim, como resultado direto de nossa primeira viagem ao CeBIT, conseguimos uma matéria escrita sobre nós na revista russa de tecnologia ComputerPress em maio de 1992: relações públicas por conta própria!

Fee-fi-fo-fum, sinto os dólares dos ingleses!

Minha segunda viagem de negócios foi em junho/julho daquele mesmo ano – para o Reino Unido. O resultado dessa viagem foi outro artigo, desta vez no Virus Bulletin, intitulado Os Russos estão chegando, que foi nossa primeira publicação estrangeira. Aliás, no artigo são mencionados ’18 programadores’. Provavelmente havia 18 pessoas trabalhando na KAMI em geral, mas em nosso departamento de antivírus, éramos apenas nós três.

Londres, junho de 1992

Leia em:Ciberpassado: terceira parte – 1992-199x

Ciberameaças no mundo durante a pandemia

Entre as perguntas mais comuns que tenho recebido durante esses tempos difíceis, uma que se destaca é sobre a situação das ciberameaças devido à pandemia. Como a segurança online foi afetada de modo geral pelo grande número de pessoas trabalhando remotamente (ou não trabalhando, para aqueles desafortunados, mas também para aqueles que estão em casa o tempo todo). E, mais especificamente, quais novos golpes os criminosos estão cometendo, e o que devemos fazer para ficar protegidos?

Pois bem, vou resumir tudo isso neste post…

Como sempre, criminosos – incluindo cibercriminosos – monitoram de perto e se adaptam às condições atuais para que possam maximizar suas fontes de rendas ilegais. Então, quando a maior parte do mundo muda de repente muda para um regime no qual ficar em casa é o padrão quase o tempo inteiro (trabalho, entretenimento, compras, interações sociais, tudo de casa), os cibercriminosos se adaptam ao ambiente e mudam de táticas.

Agora, para os cibercriminosos, a coisa mais importante que eles perceberam é que quase todo mundo em lockdown aumentou muito o tempo gasto na internet. E isso significa uma “área de ataque” maior para seus atos maliciosos.

Em particular, muitas pessoas estão agora de home office, infelizmente, sem soluções de segurança confiáveis e de qualidade fornecidas pelos empregadores. Isso quer dizer que existem mais oportunidades para que cibercriminosos ataquem as redes corporativas que os empregados se conectam, levando a potenciais lucros volumosos para os bandidos.

Então, é claro, esses caras estão indo atrás desses lucros volumosos. Nós vemos essa evidência pelo aumento acentuado de ataques de força bruta em bases de dados de servidores e de acesso remoto (RDP, na sigla em inglês), tecnologia que permitem que um empregado tenha acesso integral ao seu computador corporativo – como arquivos, área de trabalho, tudo – remotamente, ou seja, de casa.

Leia em:Ciberameaças no mundo durante a pandemia

ATMs inseguros deveriam estar de quarentena também!

A cada ano, acompanhado por alguns parceiros de viagem, costumo pegar mais de 100 voos ao redor do mundo. E, hoje em dia, praticamente em todos os lugares fazemos pagamentos por cartão ou telefone, principalmente por aproximação como Apple ou Google Pay. Na China você pode pagar até pelo WeChat quando estiver no mercado comprando frutas e verduras para idosos. E, com o avanço do famoso biovírus, o uso do dinheiro virtual se torna ainda mais popular.

Por outro lado, você vai se surpreender: em Hong Kong, você precisa pagar o táxi em dinheiro – sempre! Em Frankfurt, ano passado estivemos em dois restaurantes diferentes que só aceitavam dinheiro. Oi?!? Tivemos que fazer uma longa busca para encontrar um caixa eletrônico e sacar alguns uuros em vez de apreciar um drink após o jantar. Uma crueldade! 🙂 De qualquer forma, tudo isso que relatei foi para provar que, apesar do avanço dos sistemas de pagamento em todo o mundo, ainda há a necessidade de um bom e velho caixa eletrônico em todos os cantos também, e parece que isso não vai mudar tão cedo.

Mas onde estou querendo chegar com essa conversa? É claro: cibersegurança!…

Caixas Eletrônicos = dinheiro ⇒ eles foram hackeados, eles têm sido hackeados e eles continuarão a ser hackeados, e tudo o mais. De fato, as invasões só estão piorando: uma pesquisa mostra como o número de ATMs que sofreram ataque des malwares entre 2017 e 2019 mais que dobrou (aumento da ordem de 2,5 vezes mais casos)

Pergunta: Seria possível monitorar constantemente o interior e o exterior de um caixa eletrônico? “Claro que sim”, deve ter sido sua resposta. No entanto, a realidade é um pouco diferente…

Ainda existem diversos caixas eletrônicos nas ruas, nas lojas, em passarelas e em estações de metrô com uma conexão bem lenta. Eles mal possuem velocidade de banda suficiente para gerenciar as transações; eles dificilmente possuem mecanismos de vigilância para monitorar o exterior.

Então, considerando essa lacuna de monitoramento devida à conexão de rede, nós entramos em ação para preencher esse vazio e aumentar o nível de segurança dos caixas eletrônicos. Nós aplicamos as melhores práticas em otimização (que somos mestres – com 25 anos de experiência), e também reduzimos drasticamente a quantidade de tráfego necessário com nossa solução preventiva contra ameaças em caixas eletrônicos – o Kaspersky Embedded Systems Securtiy, também conhecido como KESS.

Confira: a velocidade mínima exigida de conexão de internet para o nosso KESS é… 56 kbp/s (!!!). Meu Deus! Essa é a velocidade do meu modem de conexão discada em 1998!

Só para comparar, a velocidade média da internet 4G atualmente em países desenvolvidos está entre 30.000 e 120.000 kbp/s. E a tecnologia 5G promete mais de 100 mihlões de kbp/s (centenas de gigabites) (isto é, se eles não destruírem todas as torres antes). Mas não deixe que a velocidade de internet pré-histórica o engane: a proteção fornecida não poderia ser melhor. Inclusive, muitos gerenciadores eficazes poderiam aprender uma coisa ou outra conosco sobre otimização sem perda de qualidade.

Leia em:ATMs inseguros deveriam estar de quarentena também!

Ciberpassado: segunda parte – 1991-1992

Aqui estou eu, para continuar com as minhas histórias da pré-história da cibersegurança. Você já viu a primeira parte – sobre quando eu peguei meu primeiro vírus, sobre nossa primeira ferramenta antivírus e sobre quando eu decidi fazer isso sozinho para me tornar um membro de uma profissão que realmente não existia naquela época (como analista antivírus freelancer)..

Então, depois de algumas semanas como freelancer – que foi basicamente uma semana sem muita coisa para fazer, já que eu não tinha conseguido encontrar clientes –decidi que precisava conseguir um emprego regular em uma empresa novamente. Então organizei uma espécie de “concurso” entre três empresas privadas que haviam me oferecido trabalho.

Uma delas (KAMI) merece um post separado, então aqui eu vou falar só das principais características. Era uma empresa de importação e de exportação (e de várias outras coisas) bastante grande e multifacetada, possuía um departamento de computação que eventualmente acabou saindo da KAMI e se tornou independente. O chefe era Alexey Remizov, um grande cara que acreditou em mim e me apoiou por muitos anos.

Mas vamos voltar ao concurso. Enquanto duas empresas me disseram algo como: “Claro, venha na próxima semana e vamos discutir uma proposta”, Alexey sugeriu que eu fosse ao seu escritório na manhã seguinte e no dia seguinte ele estava me mostrando onde estava minha mesa e onde meu computador estava, até dando um adiantamento como estímulo, decidindo sobre um título para o meu ‘departamento’ – o ‘Departamento de Antivírus’ (ou algo parecido) e me fornecendo dois funcionários.

Minha primeira tarefa foi… demitir os dois funcionários! Eles simplesmente não eram os profissionais certos. E eu gerenciei essa primeira tarefa de um jeito ok – sem histeria, sem conflitos: acho que eles concordaram comigo que não eram o as peças que encaixariam ali.

Agora, um pouco mais sobre a KAMI (lembre-se: era 1991)…

O departamento de informática da KAMI era formado por cerca de duas dúzias de pessoas. Mas não havia literalmente dinheiro para gastar em computadores! Portanto, o capital inicial veio da venda de calçados importados da Índia, biscoitos de chocolate, fabricação de um sistema de alarme de carro e sistemas de codificação de sinais de TV (para TV paga). Os únicos projetos de computador TI reais eram meu departamento de antivírus e também um departamento de transputer, que foram os de maior sucesso da KAMI no período.

O que mais consigo me lembrar daquela época?

Na verdade, não era um bom negócio, já que eu estava ocupado trabalhando de 12 a 14 horas por dia: eu não tinha tempo de me atualizar sobre outras coisas, incluindo política. Mas ainda assim, como posso dizer…

Alugamos nosso primeiro escritório em um… jardim de infância (!) em Strogino, um subúrbio do noroeste de Moscou. Mais tarde, nos mudamos para algumas instalações no Museu Politécnico, depois para a Universidade Estadual de Moscou, seguido para um instituto de pesquisa e depois em outro. Costumávamos brincar: no começo nossa empresa passou por todos os níveis – além do ensino médio).

Nosso primeiro “escritório” em Strogino

Leia em:Ciberpassado: segunda parte – 1991-1992

Analistas de segurança do mundo: uni-vos (remotamente)!

O mundo parece estar lentamente reabriando as fronteiras e descobrindo um novo normal – pelo menos um pouco, ao menos em alguns lugares. Até mesmo já vemos países autorizando a entrada de estrangeiros. Quem poderia imaginar?

Certamente, alguns setores retornarão as atividades mais lentamente que outros, como eventos em larga escala, shows e conferências (aqueles offline, onde as pessoas se reúnem em um hotel ou centro de conferências). Falando neste último, nossas conferências também foram afetadas por esse vírus do inferno. Elas passaram do offline para o online, e isso inclui nosso mega projeto, a Security Analyst Summit (SAS).

A SAS deste ano deveria ter sido realizada em abril, em uma das nossas cidades favoritas (também para outros eventos K), Barcelona. Todos os anos – exceto neste – ela acontece em algum lugar legal (na verdade, normalmente bastante quente :). Por exemplo, no passado ocorreu em Singapura e em Cancun, no México, em 2018. Nunca fizemos uma SAS em Barcelona, ​​pois achamos que talvez não seja “divertida” ou “exótica” o suficiente. Mas, como as pessoas continuaram sugerindo a cidade catalã como local, finalmente foi escolhida. Hoje, em maio, ainda não tivemos uma SAS em Barcelona, ​​já que os planos offiline tiveram de ser adiados. Mas de certa maneira, ainda tivemos nossa SAS de abril – só que no sofá de casa online! Medidas extraordinárias para tempos extraordinários. E o evento também foi extraordinário!

Leia em:Analistas de segurança do mundo: uni-vos (remotamente)!

Ciberpassado: Primeira Parte – 1989-1991

Depois de escrever um post recentemente sobre o nosso sempre alcançado Top-3 em testes independentes, fiquei um pouco nostálgico com saudades do passado. Aí, por coincidência, houve o 20º aniversário do vírus do worm ILOVEYOU: mais saudade e mais um post! Mas pensei “por que parar por aí?”. Não estou com tantas pendências. Então eu vou continuar! Diante de tudo isso, vamos a mais K-nostalgia, em ordem aleatória, conforme as memórias forem aparecendo…

Primeiro, apertaremos o rebobinar (no toca-fitas dos anos 80) até o final dos anos 80, quando Kaspersky era apenas meu sobrenome.

Parte um – pré-história: 1989-1991

Eu, tradicionalmente, considero outubro de 1989 como o início dos meus primeiros passos no caminho rumo a minha carreira profissional. Usando um Olivetti M24 (CGA, 20M HDD), descobri o vírus Cascade (Cascade.1704) em arquivos executáveis em que havia conseguido se infiltrar e eu o neutralizei.

A história normalmente não revela que o segundo vírus não foi descoberto por mim, mas pelo meu ex-colega Alexander Ivakhin. Mas, depois disso, começamos a “analisar” as assinaturas de vírus usando nossa ferramenta de antivírus (não podemos chamá-lo de ‘produto’) regularmente. Os vírus apareciam com uma frequência cada vez maior (ou seja, alguns por mês!), eu os fragmentava, analisava, classificava e inseria os dados no antivírus.

Mas os vírus continuaram a surgir – novos que mastigavam e cuspiam computadores sem piedade. Os dispositivos precisavam de proteção! Foi nessa época que tivemos glasnost, perestroika, democratização, cooperativas, videocassetes VHS, walkmans, penteados de gosto questionável, suéteres piores e, também, o primeiro computador doméstico. E como o destino queria, um amigo foi o chefe de uma das primeiras cooperativas de computadores e me convidou para vir e começar a exterminar vírus. Eu não tinha escolha…

Leia em:Ciberpassado: Primeira Parte – 1989-1991